sábado, 11 de dezembro de 2010

Eu juro que queria ser apaixonante.
É uma bela palavra, sabe.
“Ela era uma garota apaixonante.” Assim começaria a biografia desse meu amado invisível, no capítulo sobre seu primeiro amor, provavelmente no colegial. Como se colegiais ainda existissem de fato.
“Ela era uma garota apaixonante, dessas que riem por cortesia, que possuem estrelas nos olhos, dessas que sonham, sonham alto e se trancam no quarto ouvindo blues e não se livram da solidão”.
Queria tanto que seria capaz de fingir. Eu diria que vai ficar tudo bem, que estarei sempre aqui, que o destino nos quer juntos, que vamos compor família, túmulos unidos, amor eterno, vou te apoiar, compreender, te olhar nos olhos e te beijar ouvindo a nossa música favorita. Cartões, músicas, recordações, ligações em terças-feiras tediosas, euteamos furtivos, abraços inesperados, teatro infernal.
E não seria amor, não seria.
Quer dizer, amor seria. Amor entre a minha vontade de ser quem eu não sou e você, meu amor.
Eu juro que queria não ser sarcástica demais, babaca demais. Eu juro que queria ainda ter esperança aqui dentro, o suficiente pra chorar ouvindo blues. Só os esperançosos choram, a mim só sobrou a indiferença.
E a indiferença é seca.

Um comentário:

  1. Acho os seus textos fodas, mas sempre me confundem. O Eu-lírico é você ou um alter-ego?
    Porque (minha opinião) você não é babaca. ;]

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