São quase, quase 7 bilhões de pessoas lá fora, vivendo.
Indo, vindo, tratando de assuntos tão importantes para o universo quanto o meu café-da-manhã, procurando motivos para não se matar.
A Terra gira devagar, um terremoto a tira um pouquinho de órbita, um estrago aqui outro acolá.
Sete bilhões de pessoas e eu não conheço nenhuma delas.
Eu procuro alguém pra ligar e não lembro de número algum.
Rosto algum.
Nem das vozes eu trato de lembrar.
Em um mundo cada vez mais inconveniente, eu deveria ganhar algum tipo de prêmio.
"E o prêmio Solidão vai paaaaara..."
Me pergunto se a vida continua tão ruim desde a última vez que saí para checar.
Pessoas e suas fotos, e suas opiniões e suas "paixões" e suas pequenas guerras lá fora.
Fui agraciado com a dádiva do esquecimento.
É como morrer, depois de um tempo só se lembram do dia em que você nasceu, e do dia em que morreu. Toda uma existência, todas as fotos e opiniões e "paixões" e guerras se transformam em dois dias e alguns comentários chorosos sobre quem você foi. Ninguém se importa de verdade.
Eu morri, a diferença é que continuo existindo.
Morri. De um modo diferente, sim, morri. Garanto que valeu a pena. Morreria outra vez. Morreria todos os dias. :)
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