Deixar para trás todos os problemas, morrer para tudo e para todos e recomeçar longe, bem longe dali.
Ele sabia, sabia que tinha conseguido. Sabia e sentia.
Podia ouvir os choros de sua mãe, a frustração paterna. Em sua mente, imaginara o enterro, o corpo não-identificado, totalmente carbonizado. As flores, as declarações e discursos emocionados de rosto dos quais ele não se lembrava mais.
O corpo, de um delinquente qualquer, fora sua salvação. Meses de planejamento foram necessários, um crime fora cometido. Mas a liberdade estava ali, cada quilômetro mais próxima.
O vento no rosto sempre limpou qualquer ferida, mentira e mágoa. E o vento frio e cortante do Norte eram ideais para o que ele sentia.
E ao pensar no que tinha feito, ele chorou.
Chorou como um bebê fitando a luminosidade, com seus pulmões virgens e intocados pelo ar.
Chorou porque nunca tinha visto a luz. Porque estivera mentindo e iludindo a si mesmo e teve medo, medo de não saber mais dizer a verdade.
Medo de ser incapaz de digerir o amor e o afeto.
E de já ter morrido e nem mesmo reparado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário