segunda-feira, 22 de março de 2010

Os pinguins-imperadores.

A menina bonita que entra na cafeteria. O garoto de barba e óculos engraçados que te espia por entre as prateleiras de física.
Tantos “quase amantes” que passam por uma pessoa em um único dia. “Quase alma-gêmeas”.
Falta coragem. Alguns chamariam de cara-de-pau, mas é bem mais que isso.
Não é simplesmente medo da rejeição.
Pergunte, receba um não e vá embora. A vida continua.
É o medo de ver o próprio reflexo espelhado em 3 letras, não.
“Não, não estou interessado.”
“Não, sou comprometida.” E o sorrisinho amarelo habitual.
Não é ser rejeitado pela pessoa dos sonhos. É sentir-se incapaz de qualquer outra coisa.
Ver um jovem castelo de areia desmoronar pela maré invisível e impiedosa.
Não.
E erguer o rosto e dizer: “não quer me ajudar a reconstruí-lo?”


-“Garotinha ruiva, não quer ser minha namorada?”
Charlie Brown nunca aprendeu a erguer o rosto e a gritar.

quarta-feira, 10 de março de 2010

(...)

Eu sinto como se tivesse que escrever alguma coisa.
Porque me falta alguma coisa.
Falta um abraço verdadeiro de alguém, falta a coragem de dizer o que eu sinto, de ser piegas e elogiada, falta o tempo do meu pai, a atenção da minha mãe.

Falta sinceridade.
Me sobra criatividade e fingimento.
Passividade.

Porque eu passo o tempo todo aqui, mas estou em outro lugar.
Eu estou em lugar algum.

Me sobra medo, me sobra sono.
Me sobra verbo, verbo de ligação.

Porque eu posso dizer o que eu sou, como estou e onde gostaria de ficar.
Mas não para você, para ninguém.
Da boca pra fora tudo parece sujo e banal.

Eu solto os risos e prendo as lágrimas, faz parte do meu show.