quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ressaca.

"Eu não te reconheço mais."
Foi com essas palavras que ela decidiu me abandonar.
Piores que socos, facadas ou mutilações. Antes ela tivesse apenas me dado um tapa.

Pior do que as palavras, foram os olhos vermelhos. A face úmida.
Pior do que tudo isso, é saber que ela estava certa.

Gritou. Disse que eu não era mais a pessoa verdadeira de outros tempos.
Ela não sabe que eu sou meu maior inimigo.
Ela me perguntava se eu estava triste, mas eu só estava querendo paz.

Vaguei. Bar em bar, estradas.
Resolvi meus problemas aqui dentro, esparadrapo emocional.
E depois entrei em coma. Indiferenças com pessoas reais, palavras românticas proferidas ao vento.
Madrugadas, fantasmas e suspiros de ninguém.

Sobrevivi.
Ah, sobriedade que vive a me abandonar.

domingo, 22 de novembro de 2009

In 2012.

Hoje, começo aqui, sentado neste banquinho frágil, o movimento pela busca da sensibilidade inerente ao ser humano.
Estão todos convocados.
Todos.

O movimento consiste em três regras básicas.
A primeira: todos têm o direito de sair de casa com os olhos vermelhos de tanto chorar, de dizer "não" em resposta à um casual "tudo bem?".
A segunda: ninguém precisa fingir alegria e disposição. "NÃO, eu não sou feliz e não preciso fingir que sou pra agradar o dia de nenhum hipócrita." Repita esse mantra 10 vezes ao dia e estará tudo bem. Ou não.
A terceira: ajudas são bem-vindas. Sempre. Um ombro amigo produz maravilhas de vez em quando.

Existirão rodas de confissões e devaneios todas as semanas, aqui, a esta hora e neste mesmo lugar. Tragam seus lenços e suas garrafas de whisky e vamos chorar!

domingo, 8 de novembro de 2009

Isso não é uma reflexão.

Isso não pretende ser um texto moralista qualquer.
Todos sabemos que um pouco de cultura inútil faz bem pro cérebro. Ou não.
Enfim, me impressiona como um mesmo país pode conter tantos tipos diferentes de cidadão.

Um país que pára por causa de futebol é um mesmo país que não diz nada enquanto tem um Teatro Municipal em obras há meses e meses. E nunca fica pronto.
O país de Villa-Lobos é o mesmo que aplaude tanta podridão artística.

E me pergunto: será que houve evolução?
A evolução me parece ser apenas tecnológica. Continuamos tão animais quanto há milhares de anos. Talvez até nos tornamos piores. Mais individualistas, mais ganaciosos.

Cientistas avaliam que 30% da população humana sofrerá de depressão nos próximos 20 anos. E nada é feito quanto a isso.
Talvez uma população infeliz seja mais fácil de ser controlada.
E vemos o declínio da cultura nacional diante dos nossos olhos.

Não digo que não existam grandes artistas por aí. Eles existem, é claro.
Mas só exisem para uma parcela mínima da sociedade. E quando esses artistas querem que o seu trabalho chegue a todos os grupos sociais, não encontram apoio, investimento público, nada.

A TV aberta é uma desgraça. Os melhores horários são preenchidos com lixo.
As tardes de domingo são o antro dos pseudo programas de humor, que nada mais são que uma desculpa pra mostrar "belas" mulheres seminuas (já que agora, até o padrão estético foi massificado. E não, sua mulher não pode ser bonita aos seus olhos, ela precisa ser bonita pros olhos da sociedade.) ou homens sem o mínimo de massa cinzenta.
É, sou careta e moralista. Mas acredito na humanidade.
Beijos e queijos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Eu poderia esperar até o mês que vem para escrever isso.
Afinal, 13 anos desde que ele se foi. Mas agora sinto que o momento certo chegou, e agora que me sinto desprotegida, infantil e tão pequena...é, é o momento certo.
Todos deveriam ter alguém para se espelhar.
Alguém que te inspire, que saiba as palavras certas e que por um momento, te faça acreditar que o mundo não é um lugar tão perigoso ou misterioso assim.
Gostaria que Carl Sagan estivesse vivo nesse momento, só pra ouvir o que ele teria a dizer sobre tudo o que anda acontecendo no mundo. Gostaria de ouvir o que ele teria a dizer sobre os ataques do 11 de setembro e a evolução da internet, sobre o consumismo desenfreado e as criancinhas e seus aparelhos eletrônicos, sobre o Barack Obama.
É estranho se confortar com a voz de alguém que você nunca conheceu.
E por mais que eu esteja triste, sou eternamente grata. Grata por ter sido inspirada pela possibilidade de um novo mundo, de toda a complexidade da vida como ela verdadeiramente é, e pela possiblidade de me desligar dessa vida fútil que rodeia a maior parte dos seres humanos e que é infelizmente, a minha realidade. Nem que seja por 59 minutos ou coisa assim.