Viver se tornou o intervalo de tempo entre minha mente doentia e a realidade fútil que me envolve.
Entre a rouca voz em minha cabeça e a esganiçante e infantil voz que vibra em minhas cordas vocais.
E as lágrimas mentais e o sorriso social e sempre mentiroso.
E passar madrugadas em claro. Existindo sem sentir dor.
Escolho a dor. Pior que tudo é ser incapaz de sentir.
Mais um bordel mental de beira de estrada. Apontamentos, poltronas esburacadas e muita poeira.
domingo, 25 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Epifania.
Primeiro, já que ninguém lerá isso mesmo, tenho duas considerações a fazer.
Número um, nunca me senti tão sozinha e ao mesmo tempo tão feliz. Passo os dias em casa, despreocupadamente, tudo o que eu tenho são horas de ócio. Creio que enlouquecerei em pouco tempo, se continuar neste mundo irreal que é o meu quarto.
Número dois, ao mesmo tempo, sinto falta dos meus amigos. É uma falta quase ilusória; no fundo, sei que a preguiça é maior que a minha vontade de vê-los. Essa falta é quase mentirosa, se o contrato social não existisse, eu ficaria feliz aqui sozinha. Me peguei hoje preocupada por não estar preocupada com nada e nem ninguém. Tentei chorar e não consegui. Sorrir é uma tarefa igualmente utópica. Lavo as louças, cuido das plantas, leio e vejo filmes. É a vida perfeita, pena que durará pouco tempo. Às vezes, sinto uma frágil voz em minha mente, ela diz que sente falta de novidades, de novas pessoas e de uma vida mais atarefada. Mas sempre a ignoro. Ela não é eu.
Número um, nunca me senti tão sozinha e ao mesmo tempo tão feliz. Passo os dias em casa, despreocupadamente, tudo o que eu tenho são horas de ócio. Creio que enlouquecerei em pouco tempo, se continuar neste mundo irreal que é o meu quarto.
Número dois, ao mesmo tempo, sinto falta dos meus amigos. É uma falta quase ilusória; no fundo, sei que a preguiça é maior que a minha vontade de vê-los. Essa falta é quase mentirosa, se o contrato social não existisse, eu ficaria feliz aqui sozinha. Me peguei hoje preocupada por não estar preocupada com nada e nem ninguém. Tentei chorar e não consegui. Sorrir é uma tarefa igualmente utópica. Lavo as louças, cuido das plantas, leio e vejo filmes. É a vida perfeita, pena que durará pouco tempo. Às vezes, sinto uma frágil voz em minha mente, ela diz que sente falta de novidades, de novas pessoas e de uma vida mais atarefada. Mas sempre a ignoro. Ela não é eu.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Que seja.
Poderia divagar por tempo indeterminado, explicando-lhe tudo o que corrói meus pensamentos neste instante.
Tanto as constantes quanto as variáveis, passando por infinitos universos, escondidas por entre as camadas da teoria universal.
Dirias que meu problema é genético ou, quem sabe, a vida uterina não tenha me feito bem. Citarias Freud, Darwin, qualquer um dos antigos filósofos, mas nada disso me contentaria.
Me levarias para um passeio no parque, o ar puro amenizaria as dores, disfarçaria as marcas, mas não;
Eu estaria mentindo, se dissesse que está tudo bem.
Eu estaria fingindo, ao dizer que a dor passou.
Ao dizer que beberia desta gota de felicidade pelo resto da vida.
E se existesse uma outra vida atrás do espelho, as leis seriam diferentes, mas eu continuaria o mesmo. E os seus olhares nostálgicos me cortariam da mesma forma.
Tanto as constantes quanto as variáveis, passando por infinitos universos, escondidas por entre as camadas da teoria universal.
Dirias que meu problema é genético ou, quem sabe, a vida uterina não tenha me feito bem. Citarias Freud, Darwin, qualquer um dos antigos filósofos, mas nada disso me contentaria.
Me levarias para um passeio no parque, o ar puro amenizaria as dores, disfarçaria as marcas, mas não;
Eu estaria mentindo, se dissesse que está tudo bem.
Eu estaria fingindo, ao dizer que a dor passou.
Ao dizer que beberia desta gota de felicidade pelo resto da vida.
E se existesse uma outra vida atrás do espelho, as leis seriam diferentes, mas eu continuaria o mesmo. E os seus olhares nostálgicos me cortariam da mesma forma.
sábado, 3 de outubro de 2009
Antropofagia.
O cheiro de orvalho a acordou n'aquela manhã terrivelmente improvável e incomum.
A grama estava úmida e Insensatez perguntava-se como pode permanecer fora de si durante tanto tempo, em tão desagradáveis condições.
A natureza estava viva. E como tudo o que é vivo, torna-se digno de ódio e desaprovação. O farfalhar das folhas a enojava e toda aquela sensação de liberdade a invocava imagens de morte e desespero.
O Éden infernal.
Os riachos infinitos derramando mel, o céu cor-de-rosa em toda a sua magnetude e querubins em cada nuvem.
Saudades do cheiro de mofo em seu quarto, da fraca iluminação e das sombras nas paredes manchadas, saudades do que lhe era comum e confiável. Agora estava ali, em meio ao pandemônio paradisíaco.
A grama estava úmida e Insensatez perguntava-se como pode permanecer fora de si durante tanto tempo, em tão desagradáveis condições.
A natureza estava viva. E como tudo o que é vivo, torna-se digno de ódio e desaprovação. O farfalhar das folhas a enojava e toda aquela sensação de liberdade a invocava imagens de morte e desespero.
O Éden infernal.
Os riachos infinitos derramando mel, o céu cor-de-rosa em toda a sua magnetude e querubins em cada nuvem.
Saudades do cheiro de mofo em seu quarto, da fraca iluminação e das sombras nas paredes manchadas, saudades do que lhe era comum e confiável. Agora estava ali, em meio ao pandemônio paradisíaco.
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