domingo, 20 de setembro de 2009

Fucking Fine.

Sumidos os meus devaneios, meus amores e tudo o que me fez um dia, humano.
Agora eis me aqui, osso e músculo, átomos em decomposição.
Metamorfose estática, sou inorgânico, como a terra abaixo do que um dia foram meus pés.

O que diria Platão se me visse assim?
Os anos áureos eu preferi esquecer.
Doce licor da juventude, escolhi a amargura que é a sobriedade.
Sem encantos, sem prazes. Sem decepções.

Minha mãos em trapos, minha boca murcha. Meus olhos vivos, como os de quem sabe o que é viver. Se sou rei, se sou plebeu, morrerei de qualquer jeito, irmão.
Só me deixe ir em paz, passei a vida em masoquismo e autodestruição.

Me cante bem baixinho aquela canção antiga.
Será a última que ouvirei.
E te contarei dos velhos tempos, dos violões e das madrugadas no sereno.

6 comentários:

  1. "Só me deixe ir em paz, passei a vida em masoquismo e autodestruição."

    O que posso comentar?! O.o'
    Textinho feliz, não?!
    xP

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  2. HASIUHSAISAU Não é autobiográfico. Eu tava pensando no que deve acontecer na mente de uma pessoa idosa à caminho da morte oO

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  3. Eu acho que tem um pouco de autobiográfico porque você tentou relatar, de certa forma, VOCÊ idosa a caminho da morte o,o

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  4. Isso é o que você acha, ok. E eu não dou a mínima pro que você acha.

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  5. aposto que o glauber não escreve e por isso não entende o que quer dizer: "imaginei uma situação e escrevi. não tem nada a ver comigo, abraços". normal.

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  6. Bom... Eu não disse que era sobre você, Clara. :s
    =D rsrs
    Achei o texto comovente.

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