sábado, 26 de setembro de 2009

Não sairei hoje à noite. Não hoje.
Hoje me encontro trastornado, triste.
Hoje não vejo mais motivos.

Deixe-me aproveitar esse momento. Insensatez e angústia dentro de mim.
Deixe-me esmurrar tudo o que houver pra ser quebrado aqui.
Não vou mais fingir. E é isso que farei se sair daqui.
Se meus olhos estão brilhantes essa noite, é porque andei chorando.
E se me vir sorrindo, também interprete o seu papel na minha peça.

Dirás que não, que estou feliz.
Que tenho tudo o que preciso para viver.
Isso não é vida, é sobrevivência; sempre precisei de mais.
E é por isso que preciso estar aqui.

domingo, 20 de setembro de 2009

Fucking Fine.

Sumidos os meus devaneios, meus amores e tudo o que me fez um dia, humano.
Agora eis me aqui, osso e músculo, átomos em decomposição.
Metamorfose estática, sou inorgânico, como a terra abaixo do que um dia foram meus pés.

O que diria Platão se me visse assim?
Os anos áureos eu preferi esquecer.
Doce licor da juventude, escolhi a amargura que é a sobriedade.
Sem encantos, sem prazes. Sem decepções.

Minha mãos em trapos, minha boca murcha. Meus olhos vivos, como os de quem sabe o que é viver. Se sou rei, se sou plebeu, morrerei de qualquer jeito, irmão.
Só me deixe ir em paz, passei a vida em masoquismo e autodestruição.

Me cante bem baixinho aquela canção antiga.
Será a última que ouvirei.
E te contarei dos velhos tempos, dos violões e das madrugadas no sereno.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Eu sou um parasita obrigatório
Olhando a felicidade alheia e sugando o quanto posso

Todos são felizes nesse instante
Meu quarto parece cada vez menor
E não existe feixe algum de luz nesse cubículo
E como um caramujo eu me escondi

E se eu tento sair
A luz lá fora me sufoca
Peço, corro, estou em prantos
Estou aqui dentro
Onde eu choro e sou eu mesmo
Onde eu não sou ninguém

Na saudade do que não vivi
Nas lembranças do que não fiz
A nostalgia inexistente coexiste com a minha mente
Cada instante parece mais intenso
E meus olhos já não se abrem mais.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

No lado escuro da Rua. (?)

E quando lágrimas já não são suficientes
E o coração se acostumar com o veneno da lança que o transpassa;
Tu olharás bem fundo em orbes meus
E saberás que compartilho da mesma dor.

É que os olhos dóem na primeira vez que enxergam a luz
Como prismas acostumados com a brancura e que agora podem viver de arco-íris e som.

E minha vida sempre foi confiar na mentira para não me machucar
Acreditar na ilusão para poder sonhar.
Minha alma agora chora, e não é mais do que uma sombra do que um dia pude chamar de mim;
É perfurada, humana e crua, insolente pelas ruas, a te querer e a te chamar.