segunda-feira, 27 de abril de 2009

Enfim.

Eu gostaria de dormir tranquila e sentir cheiro de mato.
Eu gostaria de estudar e aprender sobre a vida com a moça da faxina, com o motorista de ônibus ou com o cortador de cana.

Eu gostaria de não ter tanta tralha inútil que colocam na minha cabeça que eu preciso ter. E gostaria de não ser assediada pela mídia, pelas peitudas e pelos saradões da tv.
Eu queria ligar o rádio e ouvir uma musica tranquila e feliz e que não agarrasse no meu cérebro por duas semanas.
E gostaria que as pessoas deixassem de ter tanto plástico no corpo e no cérebro e que eu não fosse estranha por gostar de velhinhos e crianças.

domingo, 26 de abril de 2009

Só pra deixar registrado.

Tudo, exatamente tudo pelo que passamos é nosso castigo por esse cérebro maldito e bendito ao mesmo tempo.
A gente pede: Queremos sentimentos e estímulos sensoriais! Queremos visão, audição, lágrimas e afetos!
A natureza diz: Então eu os darei. Mas se contentem com o glaucoma, a surdez, a tristeza e carência também, motherfuckers!

E queremos tudo sem poder ter tudo.
E quanto mais a gente tem, mais a gente quer.

Mas a vida é como um labirinto. Somos atirados bem no meio dele, sem saber por onde começar, só sabendo que haverá um fim, uma saída.
Se escolhemos um caminho do labirinto e seguimos por ele, pode ser que ele não seja o correto ou o mais confiável, e no fim haja uma parede que nos impeça de continuar.
O ruim desse labirinto, é que as vezes a parede nos deixa tão frustrados, tão arrependidos da escolha desse caminho, que não conseguimos voltar e escolher o caminho certo que nos levará até o fim em segurança.



Enfim, isso é só uma simples anotação que eu lerei quando me sentir uma merda mal.

sábado, 18 de abril de 2009

Killing you everyday, just to know how you're inside.

Às vezes o espelho me machuca, o sorriso foge de mim.
Eu perco o controle e fico em casa cultivando a auto-destruição.
Eu me mato a cada noite e de manhã eu vivo em vão.

E fico em casa, eu durmo pra esquecer.
A figura que me encara no espelho não sou eu.
Ouço as músicas que me sufocam,
Falo e quero ficar calada, eu calo pra não me aborrecer.

Em busca uma essência inexistente,
Eu deformo a minha mente, eu esqueço quem sou.

E vivo de fantasia contando piadas pra não transparecer.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Banalidade;Formalidade.

Nunca enganei ao dizer que odeio escrita em primeira pessoa. É tão simples, objetiva e aculturada. Na realidade, odeio literatura fácil, feita para a massa e com os diálogos simples, vagos e inúteis.
Não me julgues prematuramente, estúpido leitor. Simplesmente exponho aqui as idéais sujas de uma mente envelhecida e já meio caduca. Suponhamos que não sou quem lhe convém, ou quem achas que sou. Por mais, eu também mereço um certo apreço e respeito.
Hoje completei 71 anos. Se-ten-ta e um. Palavra mais irritante essa: aniversário. Convenção social arcaica e vaga para quem já esqueceu qualquer coisa que não esteja relacionada a hora do café da manhã ou de alimentar os gatos.
Na realidade, minha idade já não importa mais. Nasci com teias de aranha no cérebro, envelhecidamente são.
Sozinho. Sempre sozinho. Não fui bem aceito em toda a vida, tampouco serei durante a morte que já me procura. Aqui relatos fatos inúteis e apressados da minha existência. Sinta-se honrado, leitor; eis aqui o meu testamento perpéto. Perpétuo como o amor que nunca presenciei.