segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Quero ver-te, de verdade. Pra quem sabe, lembrar do teu rosto matinal quando nos separarmos enfim.
Pintar tua sombra na parede branca do meu quarto pra nunca mais esquecer a tua forma de ser.
Gravar o som da tua risada pra me alegrar.
Teria algo ao menos pra me apegar, neste mundo onde as recordações são mortas pelo tempo.
Vou me torturar com as lembranças sem fim, piores que qualquer mutilação, mas que me fazem feliz. Pois eras meu refúgio em meio à estupidez do mundo lá fora, dos homens elegantes e mulheres importantes. Era a banalidade que eu precisava.

E a tua caneca, a tua caneca que eu roubei e ficará na minha cozinha, como uma obra de arte.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ressaca.

"Eu não te reconheço mais."
Foi com essas palavras que ela decidiu me abandonar.
Piores que socos, facadas ou mutilações. Antes ela tivesse apenas me dado um tapa.

Pior do que as palavras, foram os olhos vermelhos. A face úmida.
Pior do que tudo isso, é saber que ela estava certa.

Gritou. Disse que eu não era mais a pessoa verdadeira de outros tempos.
Ela não sabe que eu sou meu maior inimigo.
Ela me perguntava se eu estava triste, mas eu só estava querendo paz.

Vaguei. Bar em bar, estradas.
Resolvi meus problemas aqui dentro, esparadrapo emocional.
E depois entrei em coma. Indiferenças com pessoas reais, palavras românticas proferidas ao vento.
Madrugadas, fantasmas e suspiros de ninguém.

Sobrevivi.
Ah, sobriedade que vive a me abandonar.

domingo, 22 de novembro de 2009

In 2012.

Hoje, começo aqui, sentado neste banquinho frágil, o movimento pela busca da sensibilidade inerente ao ser humano.
Estão todos convocados.
Todos.

O movimento consiste em três regras básicas.
A primeira: todos têm o direito de sair de casa com os olhos vermelhos de tanto chorar, de dizer "não" em resposta à um casual "tudo bem?".
A segunda: ninguém precisa fingir alegria e disposição. "NÃO, eu não sou feliz e não preciso fingir que sou pra agradar o dia de nenhum hipócrita." Repita esse mantra 10 vezes ao dia e estará tudo bem. Ou não.
A terceira: ajudas são bem-vindas. Sempre. Um ombro amigo produz maravilhas de vez em quando.

Existirão rodas de confissões e devaneios todas as semanas, aqui, a esta hora e neste mesmo lugar. Tragam seus lenços e suas garrafas de whisky e vamos chorar!

domingo, 8 de novembro de 2009

Isso não é uma reflexão.

Isso não pretende ser um texto moralista qualquer.
Todos sabemos que um pouco de cultura inútil faz bem pro cérebro. Ou não.
Enfim, me impressiona como um mesmo país pode conter tantos tipos diferentes de cidadão.

Um país que pára por causa de futebol é um mesmo país que não diz nada enquanto tem um Teatro Municipal em obras há meses e meses. E nunca fica pronto.
O país de Villa-Lobos é o mesmo que aplaude tanta podridão artística.

E me pergunto: será que houve evolução?
A evolução me parece ser apenas tecnológica. Continuamos tão animais quanto há milhares de anos. Talvez até nos tornamos piores. Mais individualistas, mais ganaciosos.

Cientistas avaliam que 30% da população humana sofrerá de depressão nos próximos 20 anos. E nada é feito quanto a isso.
Talvez uma população infeliz seja mais fácil de ser controlada.
E vemos o declínio da cultura nacional diante dos nossos olhos.

Não digo que não existam grandes artistas por aí. Eles existem, é claro.
Mas só exisem para uma parcela mínima da sociedade. E quando esses artistas querem que o seu trabalho chegue a todos os grupos sociais, não encontram apoio, investimento público, nada.

A TV aberta é uma desgraça. Os melhores horários são preenchidos com lixo.
As tardes de domingo são o antro dos pseudo programas de humor, que nada mais são que uma desculpa pra mostrar "belas" mulheres seminuas (já que agora, até o padrão estético foi massificado. E não, sua mulher não pode ser bonita aos seus olhos, ela precisa ser bonita pros olhos da sociedade.) ou homens sem o mínimo de massa cinzenta.
É, sou careta e moralista. Mas acredito na humanidade.
Beijos e queijos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Eu poderia esperar até o mês que vem para escrever isso.
Afinal, 13 anos desde que ele se foi. Mas agora sinto que o momento certo chegou, e agora que me sinto desprotegida, infantil e tão pequena...é, é o momento certo.
Todos deveriam ter alguém para se espelhar.
Alguém que te inspire, que saiba as palavras certas e que por um momento, te faça acreditar que o mundo não é um lugar tão perigoso ou misterioso assim.
Gostaria que Carl Sagan estivesse vivo nesse momento, só pra ouvir o que ele teria a dizer sobre tudo o que anda acontecendo no mundo. Gostaria de ouvir o que ele teria a dizer sobre os ataques do 11 de setembro e a evolução da internet, sobre o consumismo desenfreado e as criancinhas e seus aparelhos eletrônicos, sobre o Barack Obama.
É estranho se confortar com a voz de alguém que você nunca conheceu.
E por mais que eu esteja triste, sou eternamente grata. Grata por ter sido inspirada pela possibilidade de um novo mundo, de toda a complexidade da vida como ela verdadeiramente é, e pela possiblidade de me desligar dessa vida fútil que rodeia a maior parte dos seres humanos e que é infelizmente, a minha realidade. Nem que seja por 59 minutos ou coisa assim.

domingo, 25 de outubro de 2009

Edital.

Viver se tornou o intervalo de tempo entre minha mente doentia e a realidade fútil que me envolve.
Entre a rouca voz em minha cabeça e a esganiçante e infantil voz que vibra em minhas cordas vocais.
E as lágrimas mentais e o sorriso social e sempre mentiroso.

E passar madrugadas em claro. Existindo sem sentir dor.
Escolho a dor. Pior que tudo é ser incapaz de sentir.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Epifania.

Primeiro, já que ninguém lerá isso mesmo, tenho duas considerações a fazer.
Número um, nunca me senti tão sozinha e ao mesmo tempo tão feliz. Passo os dias em casa, despreocupadamente, tudo o que eu tenho são horas de ócio. Creio que enlouquecerei em pouco tempo, se continuar neste mundo irreal que é o meu quarto.

Número dois, ao mesmo tempo, sinto falta dos meus amigos. É uma falta quase ilusória; no fundo, sei que a preguiça é maior que a minha vontade de vê-los. Essa falta é quase mentirosa, se o contrato social não existisse, eu ficaria feliz aqui sozinha. Me peguei hoje preocupada por não estar preocupada com nada e nem ninguém. Tentei chorar e não consegui. Sorrir é uma tarefa igualmente utópica. Lavo as louças, cuido das plantas, leio e vejo filmes. É a vida perfeita, pena que durará pouco tempo. Às vezes, sinto uma frágil voz em minha mente, ela diz que sente falta de novidades, de novas pessoas e de uma vida mais atarefada. Mas sempre a ignoro. Ela não é eu.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Que seja.

Poderia divagar por tempo indeterminado, explicando-lhe tudo o que corrói meus pensamentos neste instante.
Tanto as constantes quanto as variáveis, passando por infinitos universos, escondidas por entre as camadas da teoria universal.
Dirias que meu problema é genético ou, quem sabe, a vida uterina não tenha me feito bem. Citarias Freud, Darwin, qualquer um dos antigos filósofos, mas nada disso me contentaria.
Me levarias para um passeio no parque, o ar puro amenizaria as dores, disfarçaria as marcas, mas não;
Eu estaria mentindo, se dissesse que está tudo bem.
Eu estaria fingindo, ao dizer que a dor passou.
Ao dizer que beberia desta gota de felicidade pelo resto da vida.
E se existesse uma outra vida atrás do espelho, as leis seriam diferentes, mas eu continuaria o mesmo. E os seus olhares nostálgicos me cortariam da mesma forma.

sábado, 3 de outubro de 2009

Antropofagia.

O cheiro de orvalho a acordou n'aquela manhã terrivelmente improvável e incomum.
A grama estava úmida e Insensatez perguntava-se como pode permanecer fora de si durante tanto tempo, em tão desagradáveis condições.
A natureza estava viva. E como tudo o que é vivo, torna-se digno de ódio e desaprovação. O farfalhar das folhas a enojava e toda aquela sensação de liberdade a invocava imagens de morte e desespero.
O Éden infernal.
Os riachos infinitos derramando mel, o céu cor-de-rosa em toda a sua magnetude e querubins em cada nuvem.
Saudades do cheiro de mofo em seu quarto, da fraca iluminação e das sombras nas paredes manchadas, saudades do que lhe era comum e confiável. Agora estava ali, em meio ao pandemônio paradisíaco.

sábado, 26 de setembro de 2009

Não sairei hoje à noite. Não hoje.
Hoje me encontro trastornado, triste.
Hoje não vejo mais motivos.

Deixe-me aproveitar esse momento. Insensatez e angústia dentro de mim.
Deixe-me esmurrar tudo o que houver pra ser quebrado aqui.
Não vou mais fingir. E é isso que farei se sair daqui.
Se meus olhos estão brilhantes essa noite, é porque andei chorando.
E se me vir sorrindo, também interprete o seu papel na minha peça.

Dirás que não, que estou feliz.
Que tenho tudo o que preciso para viver.
Isso não é vida, é sobrevivência; sempre precisei de mais.
E é por isso que preciso estar aqui.

domingo, 20 de setembro de 2009

Fucking Fine.

Sumidos os meus devaneios, meus amores e tudo o que me fez um dia, humano.
Agora eis me aqui, osso e músculo, átomos em decomposição.
Metamorfose estática, sou inorgânico, como a terra abaixo do que um dia foram meus pés.

O que diria Platão se me visse assim?
Os anos áureos eu preferi esquecer.
Doce licor da juventude, escolhi a amargura que é a sobriedade.
Sem encantos, sem prazes. Sem decepções.

Minha mãos em trapos, minha boca murcha. Meus olhos vivos, como os de quem sabe o que é viver. Se sou rei, se sou plebeu, morrerei de qualquer jeito, irmão.
Só me deixe ir em paz, passei a vida em masoquismo e autodestruição.

Me cante bem baixinho aquela canção antiga.
Será a última que ouvirei.
E te contarei dos velhos tempos, dos violões e das madrugadas no sereno.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Eu sou um parasita obrigatório
Olhando a felicidade alheia e sugando o quanto posso

Todos são felizes nesse instante
Meu quarto parece cada vez menor
E não existe feixe algum de luz nesse cubículo
E como um caramujo eu me escondi

E se eu tento sair
A luz lá fora me sufoca
Peço, corro, estou em prantos
Estou aqui dentro
Onde eu choro e sou eu mesmo
Onde eu não sou ninguém

Na saudade do que não vivi
Nas lembranças do que não fiz
A nostalgia inexistente coexiste com a minha mente
Cada instante parece mais intenso
E meus olhos já não se abrem mais.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

No lado escuro da Rua. (?)

E quando lágrimas já não são suficientes
E o coração se acostumar com o veneno da lança que o transpassa;
Tu olharás bem fundo em orbes meus
E saberás que compartilho da mesma dor.

É que os olhos dóem na primeira vez que enxergam a luz
Como prismas acostumados com a brancura e que agora podem viver de arco-íris e som.

E minha vida sempre foi confiar na mentira para não me machucar
Acreditar na ilusão para poder sonhar.
Minha alma agora chora, e não é mais do que uma sombra do que um dia pude chamar de mim;
É perfurada, humana e crua, insolente pelas ruas, a te querer e a te chamar.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Beautiful nation.

Emptiness is on my side
We both know wars are not enough
One day, one day you will hear the explosion
The blood of your brother and all this confusion
You won't run

You'll become the kid who cries
Your mother is dead, people will say
So save, save, save yourself

They will hunt you
Knife on their hands
Cause policy is important and your life is just lost of time
And you know that when comes the night
Monsters will burn your house

And in the darkness
You can't recognize the bad and the good
You walk
And your feet keep following the crowd
Always wet cause of the blood on the floor.

rs :)

We're looking for some kind of reason
A reason to exist
A reason to believe and breath

We keep hiding
Our own tragedie
Sometimes masks fall
Sometimes we don't want to see reality

When you looked your smashed face on the mirror of truth
Could you say it was divine?
Can't you see that real life isn't as beautiful as you wish?

So don't give me ilusions
And all this kind of lies and melodies
I need ugly real faces
I can't believe in fairytales.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

No Alabama se pá

Ela andava pelas ruas
Caçando sua redenção
Os olhos fitavam o chão
As pernas frouxas ao andar

Os sussuros sempre a condenam
Dizem que viver assim não é certo, é vulgar
A menina dos meus olhos não se preocupa, não tem bens pra se preocupar

Ela é dela, só dela
Seus braços envolviam o meu corpo naquela manhã de Março
Eu achava que tudo ia bem, ela pensava em se mudar
O outono chegou, ela não voltou
Minha casa está aberta para ela, mas seus pés devem estar em outro lugar
Recebi uma carta anônima, dizia ser do Canadá.

-5 minutos inúteis ouvindo Led Zeppelin no Bar; porque assuntos sérios são pra losers.
Em uma discussão qualquer, uma amiga(que não convém citar nomes mas todos sabem que é, rere) me disse: "Não entendo. Se eu posso ser feliz e me divertir, por que não o farei?"

Acho que a felicidade é sim, o que todos os humanos buscam.
E ao invés de simplesmente sermos felizes, achamos que devemos sê-lo.

A ideia de que uma vida bem sucedida é uma vida plenamente feliz não é nova.
Os Epicuristas já pensavam deste jeito séculos antes de Cristo.
Mas, será que é tudo tão simples assim?
Será que a busca da felicidade individual deve se impor aos desejos do coletivo?
Ou será que essa busca desenfreada pelos prazeres humanos só nos torna mais e mais individualistas?

Acho que sim, todos devemos buscar nossa própria felicidade e razão de viver; mas sem esquecer, que muitas vezes é o caminho do sofrimento e da infelicidade temporária que nos torna pessoas melhores e nos faz aprender sobre nós mesmos, nosso ambiente e as outras pessoas.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Você ri, você bebe.
Seus amigos estão lá; impiedosamente juvenis, extremamente radiantes com o êxtase que é a juventude.

Você tenta se esquadrar.
Sua cabeça gira, risadas, gritos, todo o falatório inútil.
Sua pressão sanguínea o impede de respirar direito, sufoca seu peito.

E você tenta ser quem eles acham que você deve ser.

domingo, 26 de julho de 2009

Preciso me encontrar.

Estranho isso.
Passar 2 dias na compahia de velhinhos do interior e se sentir tão bem.
Eu não devo ser desse planeta mesmo.

E me senti tão mais "eu", fingi menos, chorei ao ouvir as serestas, tudo isso me fez tão bem.
É notar que mesmo fingindo uma personalidade quase todo o tempo, ainda existe a verdadeira Clara Castanheira aqui dentro.

À Cartola e Pixinguinha, meus agradecimentos.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

-

Ela se sentou no ladrilho frio do banheiro mal iluminado. A fina camisola deixava as pernas alvas, quase transparentes à mostra. Há dias não via a luz do sol, trancada em seu quarto, cheirando o mofo e a poeira acumulados pelo tempo e o desleixo.
Os braços cruzados, a cabeça baixa, a vergonha de existir. O frio gélido em seu couro cabeludo, capaz de arrepiar até mesmo seus ossos e seus pensamentos.
E as vozes inteligíveis, cada vez mais agudas dentro de sua cabeça, os sussurros maliciosos, os gritos de dor e angústia, tudo isso se misturou a uma coragem nunca antes presenciada por aquele corpo frágil.
-Não há mais nada a fazer. Sua voz, um simples sussurro de convicção.
Quase que automaticamente, seus dedos se voltaram a arma enferrujada.
Fora abandonada ali, no chão imundo, na última noite que decidira acabar com a própria vida. A arma pareceu sorrir, um sorriso de mãe, caloroso e doentio como uma manhã de verão consegue ser.
E os dedos institivos, escorregaram até o gatilho.
-E aqui, começa e acaba a história da humanidade.

E a consciência nunca mais se fez presente naquele lugar.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Fora do ar.

Bem, isso aqui vai ficar parado durante um tempo.
Inspiração é algo que só surge pra quem vive, pra quem sai e tem o que contar.
Não tem sido o meu caso, infelizmente.

Volto quando começar a viver de verdade. Beijos.

domingo, 3 de maio de 2009

Curto.

A velhinha sentada no banco sujo da praça fita os pombos admirada.
As crianças brincam ao redor. As empregadas fazem o papel de mãe.

O tempo passa devagar, a Terra continua a girar.

A velhinha se sente culpada. O tempo passou pra ela, as crianças não sabem o que é dor. São afortunadas ali naquela praça, são jovens, venceram a corrida da vida e ali estão vivendo a ignorancia típica da infância.

Coitada da senhora, que fugiu de todos e agora ronda as vielas à procura de salvação. A salvação está dentro dela, mas ela continua a fitar os pombos, continua a olhar pro nada, olhar pra dentro de si. Tenta esquecer, conta pra si mesma a sua história, história que ninguém ali procura ouvir.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Enfim.

Eu gostaria de dormir tranquila e sentir cheiro de mato.
Eu gostaria de estudar e aprender sobre a vida com a moça da faxina, com o motorista de ônibus ou com o cortador de cana.

Eu gostaria de não ter tanta tralha inútil que colocam na minha cabeça que eu preciso ter. E gostaria de não ser assediada pela mídia, pelas peitudas e pelos saradões da tv.
Eu queria ligar o rádio e ouvir uma musica tranquila e feliz e que não agarrasse no meu cérebro por duas semanas.
E gostaria que as pessoas deixassem de ter tanto plástico no corpo e no cérebro e que eu não fosse estranha por gostar de velhinhos e crianças.

domingo, 26 de abril de 2009

Só pra deixar registrado.

Tudo, exatamente tudo pelo que passamos é nosso castigo por esse cérebro maldito e bendito ao mesmo tempo.
A gente pede: Queremos sentimentos e estímulos sensoriais! Queremos visão, audição, lágrimas e afetos!
A natureza diz: Então eu os darei. Mas se contentem com o glaucoma, a surdez, a tristeza e carência também, motherfuckers!

E queremos tudo sem poder ter tudo.
E quanto mais a gente tem, mais a gente quer.

Mas a vida é como um labirinto. Somos atirados bem no meio dele, sem saber por onde começar, só sabendo que haverá um fim, uma saída.
Se escolhemos um caminho do labirinto e seguimos por ele, pode ser que ele não seja o correto ou o mais confiável, e no fim haja uma parede que nos impeça de continuar.
O ruim desse labirinto, é que as vezes a parede nos deixa tão frustrados, tão arrependidos da escolha desse caminho, que não conseguimos voltar e escolher o caminho certo que nos levará até o fim em segurança.



Enfim, isso é só uma simples anotação que eu lerei quando me sentir uma merda mal.

sábado, 18 de abril de 2009

Killing you everyday, just to know how you're inside.

Às vezes o espelho me machuca, o sorriso foge de mim.
Eu perco o controle e fico em casa cultivando a auto-destruição.
Eu me mato a cada noite e de manhã eu vivo em vão.

E fico em casa, eu durmo pra esquecer.
A figura que me encara no espelho não sou eu.
Ouço as músicas que me sufocam,
Falo e quero ficar calada, eu calo pra não me aborrecer.

Em busca uma essência inexistente,
Eu deformo a minha mente, eu esqueço quem sou.

E vivo de fantasia contando piadas pra não transparecer.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Banalidade;Formalidade.

Nunca enganei ao dizer que odeio escrita em primeira pessoa. É tão simples, objetiva e aculturada. Na realidade, odeio literatura fácil, feita para a massa e com os diálogos simples, vagos e inúteis.
Não me julgues prematuramente, estúpido leitor. Simplesmente exponho aqui as idéais sujas de uma mente envelhecida e já meio caduca. Suponhamos que não sou quem lhe convém, ou quem achas que sou. Por mais, eu também mereço um certo apreço e respeito.
Hoje completei 71 anos. Se-ten-ta e um. Palavra mais irritante essa: aniversário. Convenção social arcaica e vaga para quem já esqueceu qualquer coisa que não esteja relacionada a hora do café da manhã ou de alimentar os gatos.
Na realidade, minha idade já não importa mais. Nasci com teias de aranha no cérebro, envelhecidamente são.
Sozinho. Sempre sozinho. Não fui bem aceito em toda a vida, tampouco serei durante a morte que já me procura. Aqui relatos fatos inúteis e apressados da minha existência. Sinta-se honrado, leitor; eis aqui o meu testamento perpéto. Perpétuo como o amor que nunca presenciei.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Abandonado.

Estou sem inspiração nenhuma esses dias.
Meu alter-ego bêbado e surreal está MUITO ativo essa semana. Nem me reconheço direito às vezes; parece que sair de casa e encarar a sociedade é igual ativar esse interruptor maldito no meu cérebro. Mas creio que isso seja um mecanismo de fuga da minha cabeça, ok, não importa, só espero que isso melhore com o tempo.
Só queria ficar feliz e introspectiva em outros lugares que não fossem a minha casa, mas eu mesma torno isso impossível. E eu só falo e faço merda na escola, me rabisco toda, como papel demais, pertubo muito as pessoas, tá foda a situação.

E chego em casa e durmo, durmo, durmo. E to muito hiperativa, mesmo. Aceito soluções, amicos.
Porque não aguento mais essa vida de desocupada, chata e estranha. (?)
Amanhã não tenho aula e ficarei provavelmente em casa. Queria sair e treinar meu auto controle, mas vai ser meio difícil sair e ficar sozinha rondando pela Ilha. ._.
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Como um trapezista zonzo,
Como a última centelha da fogueira,
Aprendo a encontrar o equilíbrio
Aprendo a me manter vivo, sozinho.


Aprendo a enxergar nos olhos frios de um assassino,
A mesma doçura dos olhos imaculados desta criança.
Da criança, que persiste e torna a encontrar lugar no pensamento,
Do mais vil e solitário carcereiro.

E mostra toda a verdade.

Porque a mais inútil das bactérias,
Teve a sorte de existir e rastejar.
E nada foi em vão, nada será em vão.

terça-feira, 10 de março de 2009

Por que é tão fácil se preocupar com as atividades diárias, com as coisas supérfulas, com tudo o que diz respeito aos simples momentos sociais? E ao mesmo tempo parece ser tão difícil se preocupar com o que realmente importa, socialmente e intelectualmente falando?
As pessoas parecem viver e nem ao menos notar o que elas estão fazendo.
É como se elas se olhassem no espelho e nunca se perguntassem porque têm 5 dedos em cada mão, dois buracos no nariz, essas coisas. Afinal, poderíamos ser de tantas formas diferentes.
E elas vão vivendo, e não sabem nem o que as oprime. Não fazem idéia de todos os problemas que a própria existência delas causa no planeta. Vivem. E são felizes, pelo menos parecem ser. E são, ou acham que devem ser felizes. E vivem de obrigações sociais. E parece que a vida é só um monte de obrigações sociais e rituais sociais e toda essa merda social. E toda essa merda que nós somos obrigados a engolir.
A engolir corrupção, falta de valores, a cegueira do próprio ser humano. A engolir babaquice atrás de babaquice. Falta de respeito e gritos o tempo todo.
E a engolir esta merda de discurso moralista que não vai servir pra nada.
Às armas, cidadãos.

E continuam se reproduzindo. E acham que vai ser eterno.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Blood on my neck.

Tic tac. Tic tac.
Eu vejo o pêndulo balançando-se. Este é o relógio universal.
Tac Tic. Tac Tic.
Um giro de 360° em tudo o que foi concebido e analisado.
Um pêndulo incessante, um pêndulo imaginário.

Há milênios balançando, há milênios destruindo,
Suas engrenagens o sufocando, seus pensamentos lhe traindo.

E este relógio é eterno, indestrutível, é mais real que a vida.
E o que é a vida, senão as batidas do relógio?

Doze horas já se passaram, outras doze ainda virão.
Este não é o fim do mundo, catástrofe, destruição.
É apenas mais um ciclo, arrogante e egoísta como é a própria vida humana.
Que resolveu se realizar sem pedir opinião.